O Brunei destaca-se há muito tempo por ser um dos países de maioria muçulmana e mais conservadores do Sudeste asiático, porém, apenas a partir de 2014 é que esta região começou a prever penas como o apedrejamento. Tal é consequência de, no mesmo ano, o sultão ter anunciado que o país, no qual é monarca absoluto, seria o primeiro do sudeste asiático a aplicar um código penal baseado numa interpretação ultraconservadora e rígida da Sharia – Lei canónica muçulmana, baseada no Alcorão. Na altura em que esta mudança profunda ocorreu, o sultão, Hassanal Bolkiah, disse que o seu Governo “não espera que outras pessoas a aceitem e concordem com esta, mas seria suficiente que respeitassem a nação da mesma forma que a nação as respeita a elas”.
Em 2019, mais precisamente a partir desta semana, o pequeno reino do Brunei, localizado perto da Malásia e da Indonésia, vai impor punições corporais e sentença de morte para casos de adultério, de homossexualidade e de blasfémia. As novas leis aplicam-se exclusivamente aos muçulmanos, num país com menos de 450 mil habitantes, onde dois terços da população são crentes nesta religião.
O sultão já classificou a implementação do novo código penal como “uma ótima conquista”.
A inesperada decisão surpreendeu as organizações de defesa dos Direitos Humanos, que anteriormente condenaram a adoção de “punições perversas” pelo atual sultão deste território.
A França e a Alemanha também já pediram ao estado asiático que renuncie a nova legislação. Os Ministérios dos Negócios Estrangeiros alemão e fancês referiu, em comunicado, a preocupação que os diplomatas expressaram perante a situação, apelando e frisando ainda que esta legislação é “contrária aos compromissos internacionais” assumidos pelo Brunei em relação aos Direitos Humanos, tanto nas Nações Unidas (ONU) como na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
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